O Chefe Cervejeiro
O mundo das cervejas na visão de um chef de cozinha

Cervejas para o frio

Todos os anos quando a temperatura abaixa volta esse assunto, mas será que há mesmo um estilo de cerveja especial para o inverno?

Vou responder essa pergunta com outra pergunta: o bebedor de whisky, que é uma bebida com 40 % de álcool passa a tomar saquê com 11 % de álcool no verão só porque o saquê é mais leve? Claro que não.

O mesmo vale para a cerveja.

É claro que um dia quente de verão pede uma cerveja leve e com grande efeito refrescante, nessa lista entrariam as Pilsener, Weizen, Lambic… e em um dia frio de inverno a tendência é pedir uma cerveja mais encorpada e alcoólica como as Barley Wine, Doppelbock, Quadrupel…

Posso dizer que na praia em si eu preferiria uma cerveja leve, mas na hora da refeição iria pensar nas harmonizações. No meio da tarde e à noite iria facilmente para as cervejas que não são 100 % refrescantes, não preciso deixar de degustar as minhas preferidas IPAs só porque o termômetro passa dos 30° C e muito menos deixar de degustar as maravilhosas cervejas de trigo em um dia que as pessoas saíram de casa com blusa de frio.

Encerraria facilmente uma refeição em qualquer época do ano com uma malt liquor no auge dos seus 14 % de álcool.

Vale lembrar que já inventaram ventiladores e sistemas de refrigeração para refrescar os dias quentes e os casacos pesados e aquecedores para diminuir o número de queixos batendo, com isso é só escolher sua cerveja preferida.

Tim tim

por Ronaldo Rossi

Um sonho cervejeiro que começa a se realizar

Hoje é um dia muito importante. Se você tem alguma relação um pouco mais próxima a mim sabe que nos últimos 11 ou 12 meses, mais ou menos, acabei me dedicando quase que exclusivamente às cervejas, chegou a hora de poder dividir essa dedicação com todos vocês.

Esse trabalho duro pode ser apresentado com um nome: CERVEJOTECA.

A Cervejoteca é mais do que uma loja de cervejas especiais, é um espaço para a cultura cervejeira. Estamos iniciando a operação com 240 rótulos das principais escolas cervejeiras do mundo, e muito mais ainda há muita coisa legal pra chegar.

Todo o empenho da área da gastronomia para a valorização dos elementos nacionais podem ser notados também em relação à cervejas, cervejarias e cervejeiros brasileiros que têm nos oferecido um produto que não deixa nada a dever às tradicionais escolas cervejeiras do mundo.

Não vou citar aqui nenhum nome para não cometer injustiça de esquecer outros tantos, mas posso assegurar que o primeiro brinde feito na Cervejoteca foi para as cervejas nacionais, TIM TIM.

Vou passar o site, que ainda está em construção: www.cervejoteca.com.br o endereço: Rua Sena Madureira, 659 na Vila Mariana em São Paulo, o tel: (11) 50846047 e no twitter: @cervejoteca

Boa cerveja combina com boa música e boas conversas, aguardamos sua visita.

Ronaldo Rossi

O primeiro passo em direção às cervejas especiais, cervejas de verdade

Em todos esses anos de gastronomia tive a oportunidade de apresentar, tanto para profissionais como para consumidores finais, novidades do mercado, novos sabores, receitas, ingredientes, produtos, equipamentos…

Estamos vivendo um momento muito parecido com as cervejas especiais. Cerveja todo mundo acha que conhece, acha que sabe o que é bom e tem a tendência de não aceitar tão facilmente as mudanças de marca, o que dirá então falar de cervejas com aromas de bananas, defumados, cravos, caramelo, cervejas licorosas, rolhadas e mais importante do que tudo isso junto: que não devem ser consumidas estupidamente geladas.

Confesso que já gastei o verbo, até mesmo batendo boca no sentido de convencer um bebedor de cerveja de linha de deixar de tomar a sua cerveja habitual e “se converter” às cervejas especiais. Hoje faço as coisas bem diferentes.

Claro que alguém que está disposto a conhecer as novidades torna o nosso diálogo mais fácil, mas e para os que ainda não aceitam as mudanças? Proponho que a pessoa escolha a sua cerveja de linha preferida e tome, logo em seguida eu ofereço uma puro malte, simples.

E não falo nada, deixo que a pessoa fale, se a resposta é positiva no sentido de perceber as diferenças ai eu gasto o verbo, ou mais do que isso, invisto o verbo, não posso considerar gastar.

Mas se o cara não percebeu ou não achou válida a diferença eu paro por ali mesmo o assunto, não adianta o desgaste, desejo boa sorte e me ofereço para tirar dúvidas ou mesmo bater um papo cervejeiro, sempre que o cara quiser.

Essa evangelização, a nossa beer evangelização, é um trabalho de formiguinha mesmo, onde trabalhamos um por um. O lado positivo disso é que além de fazermos amigos com a nossa tão adorada cerveja teremos um consumidor que dificilmente dará um passo para trás em direção às cervejas de linha e certamente tentará levar esse conhecimento pra frente.

Que venham mais cervejas de verdade, ou como dizemos no twitter: #cervejadeverdade

Ronaldo Rossi

Heilig-Fire Spicy

Nome: Heilig-Fire Spicy

Pais: Brasil

Cervejaria artesanal: Heilig Bier

Estilo: American Pale Wheat Ale

Teor alcoólico: 5,9 %

Capacidade da garrafa: 500 ml

Aparência: cerveja amarelo palha, turva, com excelente formação de espuma cremosa e de média duração

Aroma: um aroma ácido e levemente picante, as cascas do limão siciliano mostram-se bem destacadas, o picante deve ser em função da pimenta que entra na composição, mas confesso que se fosse um teste cego eu não teria conseguido identificar.

Sabor: o sabor ácido inicial vai reforçado pelos condimentos que deixam o paladar mais intenso, agora eu teria reconhecido a pimentinha, o ardido que fica logo depois dos goles.

Sensação na boca: uma cerveja refrescante e equilibrada, a acidez pronunciada entra com esse efeito refrescante e logo em seguida a surpresa do ardido leve.

Conclusão: uma cerveja mega refrescante com surpresas na degustação, que começam logo no aroma e permanecem no ardido do retrogosto. Precisaria de mais amostras para fazer mais testes mas acredito que harmonizaria perfeitamente com saladinhas que envolvam elementos picantes e mais do que isso, frutos do mar fritos. Especial para o clima tropical desse nosso Brasil varonil.

Dicas de harmonização: infelizmente não tenho publicado a receita de camarão ao alho e óleo, mas foi nessa receita que eu pensei todo o tempo em que apreciava a cerveja, fica a dica já e assim que conseguir escrever eu venho colocar o link aqui.

Ouvindo: One – U2 (mela cueca, não? Domingão chuvoso dá nisso)

La Trappe Quadrupel

Nome: La Trappe Quadrupel

Pais: Holanda

Cervejaria: De Koningshoeven

Estilo: Belgian Specialty Ale

Teor alcoólico: 10 %

Capacidade da garrafa: 330 ml

Aparência: cerveja dourada avermelhada, brilhante, com excelente formação de espuma cremosa e de média duração

Aroma: um aroma adocicado, com destaque para as frutas vermelhas, um dos aromas que mais me agradou foi o de ameixa vermelha.

Sabor: sabor intenso de maltes adocicados com destaque para o sabor de frutas vermelhas, o amargo deve ser proveniente do lúpulo mas não consegui destacar aromas nem sabores herbais ou florais.

Sensação na boca: uma cerveja cremosa, muito complexa e apaixonante. Os 10 % de teor alcoólico ficam evidentes logo no primeiro gole. O primeiro sabor é o amargo com o álcool, mas o doce logo fica evidente e é o que se mantem no retrogosto prolongado. Um detalhe muito bacana é como os sabores vão mudando e se tornando mais evidentes conforme a cerveja vai esquentando.

Conclusão: seria muito fácil ou muito óbvio dizer que é uma cerveja fantástica, mas não sei se tenho realmente outros adjetivos para descrevê-la. Para quem não conhece vale o teste e pra quem já conhece vale o consumo regular. Facilmente um dos destaques desse mês.

Dicas de harmonização em breve

Ouvindo: Trust – Megadeth

Sapporo – Legendary Biru

Il Chiostro Gold Ale

Nome: Il Chiostro Gold Ale

Pais: Itália

Cervejaria: Il Chiostro

Estilo: Gold Ale (Belgian Pale Ale)

Teor alcoólico: 5,5 %

Capacidade da garrafa: 750 ml

Aparência: amarelo palha, turva, com excelente formação de espuma cremosa e de longa duração

Aroma: um aroma adocicado, com toques de cítrico e leve baunilha.

Sabor: sabor intenso e pronunciado de um lúpulo herbal como primeira sensação na boca, uma breve passagem por um leve adocicado, cítrico e o sabor residual volta a ser o amargo.

Sensação na boca: não posso dizer que senti uma cerveja que refresca e nem que esquenta, ou seja é uma cerveja equilibrada nesse sentido, os paladares intensos e que ficam por bastante tempo na boca são destacados pelo lúpulo.

Conclusão: Uma cerveja com grande personalidade que não é uma cerveja pra quem está acostumado com as cervejas de linha. O amargor pode assustar a quem não o espera no primeiro contato, mas é uma cerveja muito equilibrada e com sabores intensos, vale o meu destaque pessoal.

Dicas de harmonização em breve

Ouvindo: Imaginations from the other side – Blind Guardian (com fones de ouvidos em alto volume para fugir do carnaval)

Balancete do mês de fevereiro de 2010

É o segundo mês que eu começo explicando alguma coisa, no mês anterior foi sobre a não conclusão de um mês inteiro, nesse o problema foi a loucura do trabalho que não me permitiu dedicar todo o tempo que eu gostaria de para as cervejas e como consequência para o blog, mas vamos lá.

Foram:

•34 cervejas diferentes degustas
•16 cervejas inéditas
•7 cervejas apresentadas no blog (prometo pelo menos 20 para março com destaque para as especiais)
•4 aula de sommelier de cerveja
•1 degustações com os amigos
•1 botecagem
•1 bar novo conhecido (boteco na essência, merece uma matéria aqui)
•2 convites para brassagens, mas nenhum contato direto ainda.

A cerveja tem tomado um papel muito importante profissionalmente pra mim. Não que eu esteja surpreso por isso, uma vez que não vejo nada mais natural do que trabalhar com aquilo que se ama, mas ainda é muito novo se comparado com a gastronomia.

Até o heroico heavy metal perdeu um pouco de espaço esses dias, o carnaval está ai e com ele (heavy metal enquanto os outros ouvem coisas da época) eu vou colocar muita coisa em dia, principalmente no blog.

Uma outra constatação é que o bom e velho heavy metal ainda é o estilo musical mais presente na minha vida, nenhuma novidade

Agora estou há 56 menos cervejas de provar todas as cervejas do mundo, ainda bem que o assunto é esse que além de tudo tem me trazido contato com pessoas muito bacanas.

Ronaldo Rossi

Ouvindo: Wellcome to the jungle – Guns ‘N Roses

A cerveja do mês – fevereiro de 2010

Infelizmente não consegui escrever sobre todas as cervejas que tive a oportunidade de provar nesse mês, mas o destaque das cervejas apresentadas ficou fácil: Anderson Valley Poleeko Gold Pale Ale.

O destaque do mês de março será muito mais concorrido, mesmo que não eu não prove muitas novidades, nas que provei em março e ainda não consegui apresentar virão coisas fantásticas.

Ronaldo Rossi

Ouvindo: Dream On – Aerosmith (no rádio)

Hoegaarden Witbier

Nome: Hoegaarden Witbier

Pais: Bélgica

Cervejaria: Brouwerij Hoegaarden

Grupo: ImBev

Estilo: Witbier

Teor alcoólico: 4,9 %

Capacidade da garrafa: 330 ml

Aparência: amarelo palha, turva, com boa formação de espuma e boa duração

Aroma: suave aroma cítrico e de especiarias.

Sabor: o coentro é tão intenso que o sabor das cascas de laranja aparecem muito suaves.

Sensação na boca: cerveja de corpo médio, com sabor intenso de sementes de coentro e pouco persistente, retrogosto levemente adocicado e cítrico (ácido), mas sem muita duração.

Conclusão: pense em uma cerveja que poderia ser o exemplo de cerveja ideal para um dia quente de verão em terras tupiniquins, então pense na Hoegaarden. Além de ser uma cerveja muito refrescante ela deixa na boca um sabor cítrico que merece ser provado.

Dicas de harmonização em breve

Ouvindo: Alagados – Paralamas do Sucesso

Um pouco do Twitter